Postado por Tato Deluca:

Hoje estava compondo alguns riffs no violão quando tive a idéia para este post…

Fiquei pensando sobre como fazer uma música “funcionar”. Algumas pessoas criam um único riff, e fazer variações dele ao longo da música toda…. na base do canto é o mesmo riff só que com a guitarra abafada, o refrão usa os acordes deste riff só que sem palhetar, apenas ataca as cordas soltas, depois a base do solo é o mesmo riff e a musica acaba assim…. existem muitas músicas assim… ouça Smells like Teen Spirit!

Isso existe muito, mas essa simplicidade se torna cada vez menos original, uma vez que várias bandas já usaram diversas combinações de intervalos na composições dessas músicas mais simples baseadas em Riff.

Diante dessa situação as pessoas tentam se focar em misturar riffs. Uma música composta por 3 riffs diferentes, um de intro, outro para o canto e outro para a ponte já funciona muito bem! Algumas pessoas no ímpeto de não plagiar ninguem e de tentar chegar na originalidade absoluta criam músicas com 50 riffs diferentes! O ouvinte não consegue adivinhar nunca o que está por vir e o refrão simplesmente desaparece no meio de uma idéia tão complexa.

O que as pessoas não enxergam é que na realidade essas idéias “complexas” são formadas por um “Frankenstein” de idéias simples costuradas de qualquer jeito, e isso acaba sendo extremamente CHATO!

Os Riffs de guitarra devem ser valorizados, se você tem uma boa idéia, deve explorá-la! De repente aquela base que você criou para o canto funcionaria incrivelmente bem como base do solo… por que não tentar?

Na realidade nos arranjos do ACLLA trabalhamos muito variações. As músicas tem estrutura simples de entender, pois queremos que sejam canções… as melodias tem que ficar grudadas e as pessoas devem conseguir assobiá-las! No entanto, apesar da acessibilidade, os arranjos não são simples!

Conseguimos criar arranjos complexos para estruturas simples, e isso nos pareceu uma maneira muito eficaz de deixar a música grudenta e ao mesmo tempo interessante!

Veja o Iron Maiden por exemplo. Eles tem músicas muito simples, mas os arranjos são extremamente bem feitos e complexos. Tirar uma música deles igualzinho ao CD é complicado justamente por ela ser cheia de detalhes!

Se você criar uma estrutura complicada, dificil do público decorar as partes, etc, a chance de se tornar algo chato é enorme!

Quando a banda busca a complexidade, ela tem que desenvolver essa complexidade a partir de idéias coerentes e verdadeiramente originais…. não adianta misturar 12 músicas simples em uma só de 28 minutos que isso não fará dela uma música interessante… pelo contrário, ela vai ficar cansativa e seria muito melhor aproveitada se fosse quebrada nas 12 músicas originais!

Toda banda iniciante de material próprio tem que ponderar sobre essas questões. Testar as músicas ao vivo é fundamental! Falo isso pois eu já segui esse caminho no passado: Na época do Dragon King, tive uma música de 15 minutos composta por milhares de riffs que na verdade dariam varias músicas muito legais se fossem quebrados em músicas pequenas e diretas!

 Uma música gigante tem que contar uma história gigante, ela não precisa ter inumeras partes e o refrão tem que ser grudento e identificável!

Realmente fico impressionado com composições de bandas como o Dream Theater. Eles realmente conseguem fazer músicas longas que não são cansativas. Pelo menos algumas de meus discos favoritos deles são assim e não é uma missão nada fácil!

Não digo que é impossível, é possível fazer músicas progressivas longas, complexas e legais, mas saiba que o público para esse tipo de música é muito menor do que público de músicas de 3, 4 minutos!

A “fórmula” para uma música comercial em tese é: Primeiro refrão antes de 1:30. Tamanho máximo 4:30, a estrutura pode variar, mas se você está começando a compor suas músicas, procure seguir o: 1) Intro 2) Canto 3) Ponte 4) Refrão 5) Canto 6) Ponte 7) Refrão 8) Solo 9) Refrão 2x 10) Riff da Intro

Essa é a estrutura mais usada no Rock, com pequenas variações, a ponte pode existir ou não, pode ser apenas uma modulada no riff do canto, depois do solo pode entrar uma parte C, mas no geral se você é um compositor iniciante e deseja criar seu próprio material, essa estrutura funciona bem.

Ela é uma estrutura simples não o arranjo não precisa ser necessariamente simples! Se você conseguir pegar uma estrutura assim e encher de arranjos legais e criativos, valorizar um Riff de introdução original e explorar a técnica dos música, você pode ter uma grande arma em sua mão para fazer a galera balançar a cabeça até quebrar o pescoço!

Não existe certo ou errado, composição é ousadia! Se você preferir descartar tudo que falei e fazer o seu jeito você terá toda razão em fazê-lo!! O Heavy Metal é isso! Quebrar as leis, certo?

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