Postado por Tato Deluca:

Pessoal,

Sei que às vezes é difícil entender por que um álbum demora tanto para ser lançado. Resolvi escrever esse post que desmistifica um pouco todo esse processo, mas pode servir de ajuda e inspiração para as bandas novas que querem gravar seu material algum dia.

O processo todo no caso do ACLLA teve início no segundo semestre de 2007. Apresentei para o produtor Ricardo Nagata o material cru, que eu havia gravado no computador da minha casa, apenas guitarra e voz. Com o material na mão, comecei a me encontrar com o baixista Bruno Ladislau para trabalharmos os arranjos.

Re-arranjamos algumas músicas, e novas idéias foram surgindo. Mostrei essas novas idéias para o Nagata, e ele me convenceu a substituir várias das músicas antigas por essas idéias novas. Voltamos ao processo de arranjo, esse processo levou cerca de 6 meses. 

Em abril de 2008 começamos a gravar a pré-produção, todos os arranjos prontos foram gravados, com bateria programada, baixo, guitarras e voz para testarmos o material. O “Japa” também me deu uma ajuda, ele já queria direcionar o tipo de voz que eu ia fazer no disco, portanto acompanhou a gravação das vozes para alinhar minha interpretação.

Depois da pré-produção finalizadas, voltamos a parte de arranjos. Trabalhamos as músicas que não tinham ficado tão boas, mudamos algumas bases de solo, escrevi as letras que estavam faltando, etc.

Nesse meio tempo a banda passou por algumas mudanças de formação, entraram na banda Eloy Casagrande (baterista) e Chrystian Dozza (guitarrista). Com esses músicos, novas idéias foram surgindo, e passamos a ensaiar os arranjos da pré para que todos pudessem colocar as suas idéias nas músicas.

Ficamos ensaiando por cerca de 6 meses até que pudéssemos definir as músicas como prontas. Esses ensaios não envolviam somente ensaios da banda toda. Bruno e Eloy se encontravam constantemente para compor a “cozinha” das músicas. Eles realmente tem um entrosamento assustador e criaram linhas extremamente bem trabalhadas com repiques de baixo e bateria totalmente sincronizados!

Os guitarristas, Chrystian Dozza e Denison Fernandes também faziam ensaios separados para a composição dos solos! Esses ensaios renderam momentos do disco que realmente estão emocionantes, como o solo de Beyond the Infinite Ocean!

Por fim entramos em estúdio em abril de 2009! Passamos o ano todo gravando, não por dificuldade dos músicos – Eloy gravou todas as baterias em 2 dias! Bruno gravou as linhas de baixo em 2 dias.

Tivemos alguns problemas de agenda, tanto por parte do estúdio quanto dos músicos. A gravação de guitarra base foi a que mais demorou. Conseguíamos gravar a cada 2 ou 3 semanas mas o resultado fez jus a todo o trabalho que tivemos!

Devido ao atraso na gravação de guitarra tive que aproveitar uma brecha nessas gravações, que foi justamente meu período de férias no trabalho extra-banda, para gravar os vocais principais!

A maioria deles foi gravado em cima de guitarras guia! O que deve-se ter muito cuidado ao executar esse processo inverso é de que as guitarras estejam 100% afinadas. Uma desafinação pode prejudicar toda a linha de voz, e como estúdio é pago por hora, não é bom regravarmos nada!

As linhas de voz principais foram gravadas em duas semanas, 6 ou 7 horas de pé atrás de um microfone, cantando com toda a pegada possível durante 12 dias, mas é um esforço realmente gratificante.

Concluímos as gravações de base em setembro e começamos a gravar os Solos e Backings. Esse processo foi mais rápido, em um mês e meio estava concluído.

Em novembro tínhamos todas as músicas gravadas, com exceção dos instrumentos exóticos – theremin, didgeridoo, percussão. Os teclados foram gravados apenas em janeiro desse ano e o theremin no inicio de fevereiro.

Enquanto isso o produtor Ricardo Nagata está mixando e masterizando o álbum. Na realidade o processo de mixagem é o mais demorado.

Primeiro uma música é mixada à exaustão (no caso a escolhida foi The Totem). Depois que ela fica perfeita os timbres e volumes são testados nas outras músicas que teriam o mesmo “clima”, funcionando, excelente, se não funcionar, deve-se tratar individualmente a música.

Temos músicas muito variadas no álbum, nenhuma parece com a outra, temos momentos mais Hard Rock que não soariam bem com a distorção de uma The Totem por exemplo, assim como temos uma moda de viola que é  acústica, músicas com intro em violão, é impossível definir uma configuração de volumes e timbres que funcionaria para todas.

Por esse motivo estamos nesse pé hoje: The Totem, Jaguar e The Hidden Dawn estão mixadas e com masters provisórias – a Masterização final ocorre depois que todas as músicas estão 100% mixadas. Assim define-se um volume e frequências que funcionam para todas as músicas, e deixa-se o disco totalmente uniforme!

A previsão é que tenhamos as músicas do EP prontas hoje (lançaremos uma PROMO edition com 4 ou 5 músicas em no máximo 1 mês). Com isso enviamos o material para a prensagem (essa Promo será prensada de forma independente).

O álbum mesmo, decidimos nos dar um pouco mais de tempo para negociarmos com os selos. Ele terá 12 músicas, as quais já descrevemos em posts anteriores. Para selos internacionais temos 2 bônus reservados, quando tudo estiver lançado, fazemos questão de disponibilizar esse bônus aqui para vocês, mesmo por que podemos tocá-los nos shows (e provavelmente vamos!)

Fiquem ligados galera, está tudo acontecendo e quando menos esperarmos o álbum já estará em suas mãos!

Grande abraço
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