Postado por Tato Deluca:

Algumas bandas preferem não se manifestar sobre as outras, mas aqui nesse blog, e especialmente nesse post, eu vou falar como fã do Helloween só que usarei a visão sobre o que está acontecendo que aprendi ao longo dessa minha jornada como músico… e um pouco de percepção sobre o cenário.

Vou falar aqui sobre a minha banda preferida de Metal Melódico, a original e criadora do estilo… Helloween!

Me lembro de ter conhecido Helloween através de um amigo (ex-baterista da minha primeira banda) em 1993. Isso foi antes do Michael Kiske ter deixado a banda… eles tinham acabado de lançar o Chameleon (que eu acho um excelente disco por sinal) e o primeiro disco que escutei foi “Live in the UK” – álbum ao vivo de 1989 gravado na turnê do Keeper of the Seven Keys 2.

A minha primeira reação foi “engraçada” por assim dizer…. eu era um grande fã de Iron Maiden, Judas, Metallica e coisas mais “pesadas” por assim dizer. Não era de se surpreender que a música que me conquistou logo de cara foi “I Want Out”… a mais metal tradicional do disco… uma que me chamou muita atenção mas eu ainda não entendia direito era How Many Tears… com o tempo comecei a amar essa música tambem. Depois que comprei os 2 “keepers” em 94 o Helloween entrou pra minha relação de bandas favoritas!

Ok, sem mais rodeios, expliquei os parágrafos acima para que vocês entendam que Peguei o power metal poucas anos depois que ele começou e alguns anos antes de seu auge. Por isso não vou resenhar o “Unarmed”, último disco do Helloween, e sim explicar, no meu ponto de vista, o por que ele foi feito, e o que ele representa.

Para quem não sabe, o Helloween depois de uma jornada bem sucedida com o novo vocalista – Andi Deris – decidiu fazer um álbum comemorativo de 25 onde simplesmente “tocou o foda-se” pro heavy metal e decidiu regravar clássicos absolutos da banda em versões reggae, ska, popzinho, etc… até aí tudo bem… não vou entrar no mérito se as músicas ficaram boas ou não, mesmo por que alguns aqui do ACLLA gostaram, e outros não.

Eu sou um fã das antigas, de várias bandas, então, da mesma forma que desisti do Metallica quando ouvi o Load esperando um sucessor do Black Album, vocês devem imaginar o que achei do Unarmed… mas não é isso que interessa, quero analisar friamente e isento de qualquer julgamento.

A carreira do Helloween com o Andi seguiu um crescente de álbuns legais, o Master of the Rings foi uma volta ao Heavy Metal “happy happy helloween” depois do Chameleon! O Time of the Oath é o mais Metal, no Better than Raw eles começam a inovar… a inovação é rompida pela briga do Roland Grapow com o Michael Weikath e isso gera o Dark Ride (que é menos inspirado que os outros – mas eu gosto mesmo assim). Depois da nova separação eles passam por um momento curioso, as músicas que Michael Weikath queria lançar na época do Dark Ride entraram pro Rabbits don’t come easy (que eu acho MUITO animal)… e depois o Helloween se perde novamente…

BOOM do Mp3, o Rabbits Don’t Come Easy (de 2003) já não vende tanto quanto o esperado de uma banda nesse porte! A gravadora pressiona, quer que o Helloween mostre sua base de fãs e seu poder de marketing … aí veio a idéia “genial” – Por que vocês não pegam carona no sucesso de seus grandes clássicos?

O Helloween mancha pela primeira vez o nome dos Keeper of the Seven Keys (vou explicar por que depois)…

Sem um segundo compositor no nível de um Kai Hansen ou de um Roland Grapow, Mike Weikath se ve na missão ingrata de lançar um álbum no nível do Keepers somente com seus riffs… alguns bons, mas quem o ajudaria a arranjá-los? Quem traria idéias novas para diversificar um álbum???

O Helloween dos keepers originais tem uma fórmula imbatível: Dois compositores altamente criativos, com identidades músicais bem diferentes: Kai Hansen e sua linha de metal melódico mais puxado para o tradicional do Iron Maiden… e Michael Weikath que, sem medo de ser feliz, fazia melodias alegrinhas pra Sullivan e Massadas nenhum botarem defeito – além disso eles tinham apenas o melhor vocalista de Metal Melódico do MUNDO nos microfones e ele também ajudava nas composições… um baterista talentosíssimo e um baixista que realmente queria fazer linhas de baixo diferentes e complicadas!

Keeper of the Seven Keys – The Legacy de 2005 não atingiu nem nos sonhos o resultado de vendas esperado pela gravadora… mas o Helloween continuou indo bem nos shows… e o marketing até certo ponto, manteve o interesse dos fãs na banda por mais algum tempo.

Gambling With The Devil (2007) na minha opinião é um disco bom… eles tentam inovar, mas as tentativas não são o suficiente para que a “galerinha do mp3” compre o álbum… com a curva de vendas despencando a gravadora simplesmente virou para o Helloween e disse:

“- Amigos, usem o nome dos Keepers de novo, vamos testar… um caça níqueis de aniversário apenas para ver se chama os fãs…”

Acho que Weikath e seus amigos ficaram um pouco putos com a gravadora, ou talvez eles quisessem testar se com outros tipos de som eles venderiam mais que com o melódico (que infelizmente nunca emplacou em rádios)… que seja, qualquer uma das respostas… o que importa é que eles fizeram um álbum que NÃO é Heavy Metal simplesmente por que PRECISAVAM fazer alguma coisa….

É um sintoma… sintoma de uma banda que já viveu fases muito mais gloriosas, que continua muito querida pelos fãs, mas que não tem vendido mais álbuns para os curiosos (esses baixam o álbum mas não compram) que são os que garantem mais vendas…

A realidade é que os fãs de verdade são poucos! Para qualquer banda! Aquele fã chamado de “supporter”, o cara que apoia a banda, vai em todos os shows, compra todos os discos, representa na verdade um percentual muito baixo em relação ao total de pessoas que se dizem fãs!

Os Supporters continuam comprando os discos na era do MP3…. mas os caras que curtem o som mas não são fiéis a banda não…. por isso a venda de todo mundo caiu…

Por isso digo a vocês, amigos, o Helloween ter feito um álbum completamente fora do Heavy Metal é um sintoma… sintoma de que as coisas não estão indo bem para essa banda maravilhosa e infelizmente se não os apoiarmos eles vão ter que tomar alguma atitude ainda mais drástica – O que seria bom se eles chamassem de volta Michael Kiske (que voltou a cantar em banda) e Kai Hansen (que ja fez algumas jams com o Helloween nos últimos anos).

É galera, vocês pode escolher agora onde vão apostar… comprar os discos dos caras (não necessariamente o Unarmed) para que eles voltem ao velho estilo…. ou abandonarem a banda o que pode acarretar uma aposentadoria forçada ou uma reunião da formação clássica…

O prejuízo seria grande, vocês querem apostar?

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