Postado por Tato Deluca:

Pessoal, gostaria de apresentar para vocês a idéia central de cada uma das músicas do álbum Landscape Revolution. A ordem das músicas ainda não está 100% definida, por isso pretendo dividir esse poster em duas partes.

Gravamos 14 faixas para o álbum, mas depois de ouvirmos todas gravadas, chegamos a conclusão que duas não estavam no mesmo nível que as outras e destoavam bastante do álbum (ambas eram músicas da época do Dragon King). Desse modo, como compositor dessas músicas, decidi cortá-las do álbum, deixando apenas as 12 faixas mais explosivas, garantindo assim um álbum com o melhor que temos para apresentar ao mundo nesse momento!

Como as músicas ainda não tem uma ordem definida, vou começar com o que acreditamos seja o “Lado A” do álbum… essas primeiras 6 músicas com certeza fazem parte do “primeiro escalão” e apesar de musicalmente diferentes, cada uma representa uma faceta da mistura musical criada a partir de nossas influências, bom, vamos lá:

1)        The Totem:

Essa música foi composta por mim em 2007, num momento em que eu desejava fazer Heavy Metal de um jeito mais direto, simples e pesado.
Foi minha primeira experiência com afinações alternativas. Para compor o riff principal, usei a guitarra afinada com o bordão em Ré (drop D).
Queria compor um riff sombrio e tenso, ao mesmo tempo pesado, beirando ao Thrash Metal. A base do canto é totalmente influenciada pelo Heavy Metal tradicional, seguida por uma ponte e reflão explosivos.
A letra da música fala sobre um dos principais elementos da tradição xamânica norte americana: O Totem.
Essa foi a primeira música divulgada, ainda sem mixagem numa versão “tosca”, apenas para mostrar o direcionamento musical do ACLLA e garantir para vocês nossa paixão pelo Heavy Metal! (Provavelmente será a primeira música a ser lançada aqui pelo Blog, já mixada e masterizada, disponível para download nas próximas semanas – aguardem!)

2)       Landscape Revolution:

Música tema do álbum, na realidade trata-se apenas de um chamado, uma provocação, a pergunta nessa “vinheta” de apenas 30 segundos é: “Can’t you see the Landscape Revolution?”
Essa música representa toda a contradição de nossa sociedade moderna, e revela um futuro devastador – O que acontecerá se a Natureza decidir virar o jogo e devolver o mal que estamos lhe causando?
Como elementos que simbolizam essa contradição, a música conta com um Didgeridoo – instrumento australiano de origem aborígene, o primeiro instrumento de sopro que se tem registro. Seu som oscilante e etéreo transborda em uma atmosfera hipnótica. O Didgeridoo simboliza a TERRA, a Natureza no estado bruto.
Em contraposição ao Didgeridoo, a música conta com um Theremin, o primeiro instrumento eletrônico do mundo, ele é “tocado” pela aproximação da mão em uma espécie de antena, a interferência é traduzida em ondas sonoras. O Theremin representa a tecnologia, o “poder” humano em alterar as coisas, o avanço da ciência.
Ambos os instrumentos são tocados simultaneamente enquanto ondas sonoras sopram sons invertidos (na realidade a música foi realmente cantada do avesso, e depois invertemos no computador para gerar a frase principal). “noituloveR …epacsdnaL eht ees uoy t’naC “. Levei dois meses para decorar a ordem invertida dos sons (rs)! O resultado é uma frase inteligível e ao mesmo tempo estranha, as respirações e ataques estão invertidos, o que gera um resultado realmente perturbador.

3)       Jaguar:

Essa canção foi baseada na cultura dos índios Tupinambá. A tribo dos Tupinambás foi a primeira que teve contato com os portugueses na época da colonização, e por conseqüência: a primeira que foi completamente exterminada!
Europeus de todas as partes vieram pesquisar esse povo, mas pouco se conseguiu desvendar de sua cultura, que era extremamente guerreira e CANIBAL.
Os tupinambá viviam em uma eterna guerra inter-tribal. Lendas dizem que tudo começou quando um irmão devorou o outro. A partir daí as tribos se separaram e começaram a lutar entre si, sempre capturando seus “irmãos” e devorando-os. Em troca, era esperada uma morte honrosa, todo guerreiro sonhava em ser capturado e devorado, para que seus parentes pudessem vingá-lo!
Os índios, no momento da caçada, e da cerimônia canibal, viam a si mesmos como o povo Onça! Daí vem o nome da música, Yá-Gua em tupi significa onça, e foi da origem tupi que surgiu a palavra Jaguar.
O instrumental dessa música é tribal e doentio, mantendo o ritmo hipnótico de uma caçada, certamente sua afinação em Si (guitarra de 7 cordas) faz com que ela seja uma das músicas mais pesadas do disco!

4)       Under Twilight Skies:

O poder de mudar as coisas concentrado em suas mãos?  Os céus crepusculares são um local sagrado. Ponto de partida para uma jornada no interior da Natureza Humana. Quando partimos deste local, onde é dia ao Leste, e noite ao Oeste, a decisão de que trilha tomar está totalmente em nossas mãos. Podemos rumar em direção ao Sol, trazer a luz ao nosso local sagrado, fazer o mundo se encher de brilho, a vida voltar a florescer e se multiplicar. Do mesmo modo podemos partir rumo a escuridão absoluta.
Esse é o dilema: que direção tomar uma vez que nos encontramos sob os céus crepusculares?
Essa música começa com um movimento desolador, um tema de guitarra limpa que faz referência à uma melodia country / blues. O tema é acompanhado por um looping eletrônico que chega a ser hipnotizante. Após essa passagem, somos apresentados a um riff de guitarra Hard Rock, seguindo a tendência e musicalidade country e a música nos leva a uma empolgante ponte, que retorna ao momento desolador. A partir daí muitas surpresas te esperam nessa música que em pouco mais de 4 minutos te levam de momentos desolados até passagens Hard Rock que lembram as velhas propagandas de cigarro “Hollywood”.

5)       Ride:

Com um clima Heavy Metal na concepção mais direta da palavra, Ride transpira liberdade e estrada. É uma música para acelerar o carro! Diante desses riffs poderosos apresentados por Denison Fernandes, não consegui pensar em outra coisa a não em uma Harley Davidson. Um motoqueiro solitário queimando o asfalto em uma estrada deserta.
Em sua cabeça apenas seu objetivo: Mudar as coisas, a chance de fazer alguma coisa está em suas mãos! Ele vai rápido, mais rápido do que seus rivais sonham, e não tem ninguém que possa fazer isso por ele… Aquela moto é sua vida! Ele escreve seu destino! Somente ele pode evitar a tempestade que se aproxima!

6)       Living for a Dream:

Por muitos anos sonhei em entrar na música, sonhei em poder falar para as pessoas, através da minha arte, as coisas que penso. Era meu sonho poder ouvir pessoas cantando minhas idéias… Quando pensei em fazer desse sonho minha vida eu tinha somente 13 anos!
Hoje, 16 anos depois, vejo esse sonho se tornando realidade, e agora olho para trás, para todos aqueles que riram de meus cabelos compridos. Todos aqueles que me chamavam de louco, me destratavam… hoje, vejo essas pessoas me escrevendo e dizendo admirar o trabalho que faço. Hoje essas pessoas querem se aproximar, querem fazer parte do meu “sonho maluco”…
A vida é como uma Roda, ela não para de dar voltas. E um dia o sonhador de ontem, é o único capaz de mudar o mundo! O que seria da humanidade sem os sonhadores? Sem aqueles que pensam diferente? A Televisão não seria inventada… a eletricidade, nada… os sonhadores são excêntricos! As pessoas tem medo daqueles que sonham… elas tem medo por que sabem que sua estrela pode brilhar mais forte… No fim, quem não vive seus sonhos acaba se tornando mais um… mais um ser humano que passará pela história da humanidade sem deixar nenhuma marca… mais um que terá seu nome esquecido. Já o sonhador deixa marcas… O sonhar brilha a chama da mudança… No fim, quem será a estrela?
Essa música de Bruno Ladislau me apresentou a melodia perfeita para explorar esse tema, numa mistura de Heavy Metal com Maracatú, Progressivo e Funk (não o carioca, por favor!)  essa música certamente vai mostrar uma face na musicalidade do ACLLA que até então não fora explorada!

Por enquanto é isso, falarei de mais músicas em um próximo post!

Grande abraço galera!
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