Posted by Tato Deluca:

“Vou escrever um pouco a respeito do primeiro álbum do ACLLA, e ele está diretamente ligado a minha história na Música.

Em 1992 me apaixonei pelo Heavy Metal! Formei minha primeira banda dois anos depois e desde então comecei a compor minhas próprias músicas.

Não sou contra bandas cover, mas nunca quis fazer isso… sempre incentivei todos os meus amigos que faziam cover a escrever suas próprias músicas. Alguns me ouviram e estão por aí no cenário com bandas como o Command6 e o Ace 4 Trays.

De todo modo, acho que o grande desafio na música, o que ao mesmo tempo gera maior compensação e prazer, é tocar sua própria música e conquistar a platéia com ela… ouvir pessoas elogiando seu trabalho depois de um show é certamente a coisa mais gratificante na vida de um músico.

Em 1997 mudei radicalmente o rumo de minhas composições. Como todas as primeiras músicas de um artista, as músicas do “The Thunders” eram totalmente cópias descaradas da minha principal influência – Iron Maiden.

Quando formei o Dragon King em 97, comecei a acrescentar novos elementos nas músicas, e a sonoridade acabou assumindo uma forma mais Power Metal, diretamente influenciado pelo metal germânico dos caras do Blind Guardian, Helloween, etc.

Com a mudança da sonoridade, também comecei a correr atrás de novas influências para escrever as letras das músicas. Até então, como o Iron Maiden, todas as músicas falavam de fantasia e guerra… mas em 1998 minha vida e minha postura tomaram um novo rumo, e eu comecei a me envolver com a Natureza e com as trilhas que levam a uma relação mais próxima com nossa mãe Terra!

Comecei a escrever para o Dragon King escondendo mensagens em forma de metáforas. Metáforas que usavam os elementos da época, fantasia, heróis, magia, etc… e claro, o Dragão. O Rei Dragão era uma metáfora para o caminho da Natureza. Escolhi uma criatura mitológica que representava sua força, os Rios (na cultura chinesa) e elementos como o Fogo e o Ar na cultura ocidental… através do Rei Dragão pude expressar meu descontentamento em relação às atitudes da humanidade!

Foi então que a coisa começou a se tornar caricata. Caricata demais. Desde a popularização do grunge no inicio dos anos 90, o Heavy Metal estava começando a ser colocado de lado pelos principais canais de Rock. O principal argumento eram os exageros. Infelizmente algumas bandas que eu respeito e admiro, como Manowar, Running Wild, entre outras começaram a ser vistas como “ridículas” e “exageradas”. A disputa por quem cantava mais agudo, quem tocava mais rápido, etc, começou a fazer o Heavy Metal ficar cada vez mais indigesto para as massas, e portanto, cada vez mais discriminado.

Surge na mídia o Massacration, escancarando para o povão todos os clichês do Heavy Metal visto com tanto preconceito. Os agudinhos, os épicos “O-O-O’s” tudo que eu amava e fazia no Dragon King estava sendo assassinado, e aparentemente nada podia ser feito.

Não me conformei, em 2007 procurei o produtor Ricardo Nagata, e ele me abriu os olhos para um fato: “Por mais séria que seja a proposta, por mais que eu esteja falando sobre o que o ser humano está fazendo com a Terra, se eu fizesse isso através de um estilo rejeitado pelas massas, nunca seria ouvido e respeitado.

Eu amo o Heavy Metal, jamais abandonaria isso, mas tive que vestir o sonho do Dragon King, e a minha missão na música com outra roupagem… foi então que surgiu o ACLLA.

Aclla é o nome que o povo inca dava para suas sacerdotisas, que eram desde crianças submetidas a um treinamento sagrado, mantidas puras e castas até que um dia seriam sacrificadas para o Deus Sol. Sacrifício esse que traria para seu povo um bem maior, garantiria para sua gente uma boa colheita para o próximo ano… enfim… o auto-sacrifício pela continuidade de sua espécie. Justamente o sacrifício que estou disposto a fazer para que meus filhos e netos tenham um mundo melhor… não quero colocar sementes em um mundo fadado à destruição.

Com a mudança de nome, muitas coisas mudaram na sonoridade da banda, o power metal, visto como exagerado e caricato, teve seu lugar tomado pelo Heavy Metal em sua principal essencia.

Misturamos nossas influências, o Bruno Ladislau é grande fã de Dream Theater e Iron Maiden, Chrystian Dozza é fã de Blind Guardian, Savatage além de um excepcional músico erudito que trouxe muito para a música do Aclla. Eu, por minha vez procurei desenvolver um vocal próprio, a voz é a cara da banda, se o vocal não impõe sua própria identidade, a banda fica sem identidade! Denison é um guitarrista virtuoso, com influência dos grandes mestres da guitarra e que também está buscando seu próprio estilo, e o Eloy é fã de bandas modernas e pesadas como Trivium.

Toda essa mistura deu ao ACLLA uma sonoridade bastante interessante. Buscamos fazer músicas curtas e palatáveis, com refrões marcantes e interpretadas de forma direta e reta! “Na cara” é o termo certo! 

O instrumental não podia ser simples pois as pessoas que conhecem os músicos do ACLLA certamente não esperam ver, por exemplo, o Eloy tocando um “chá-com-pão” burocrático e sem criatividade. Na realidade Bruno e Eloy criaram linhas de cozinha  extremamente trabalhadas e técnicas, que somados à um som mais direto criam uma atmosfera muito positiva e empolgante!

O produtor, Ricardo Nagata, também me fez re-selecionar as músicas que entrariam no álbum. As músicas mais power metal do Dragon King cairam, novas músicas que eu havia composto recentemente (inclusive a The Totem) entraram. Bruno colocou duas músicas no disco, o Denison uma, e gravamos uma música do meu primo e ex-parceiro de Dragon King, Daniel de Lucca.

As letras foram re-escritas, as mensagens não são mais escondidas com metáforas de dragões e espadinhas… Agora eu falo diretamente: músicas como “Beyond the Infinite Ocean”, “The Hidden Dawn” e as bônus “Sunlight” e “Who Brings on the Night?” convidam o ouvinte para a Revolução de uma maneira direta e sem delongas!

Outros temas do álbum remetem aos povos indígenas, que tinham uma relação mais íntima com a Natureza. Falo dos tupinambá, que se enxergavam como onças-pintadas em sua eterna guerra entre tribos (The Jaguar). Falo de rituais xamânicos que remetem às tradições Norte Americanas como em “The Totem” e “Flight of the 7th Moon”. E temos músicas que tratam da própria Natureza humana e da nossa capacidade de superar os desafios da vida e realizar nossos sonhos!

Esse é o Landscape Revolution! Um convite para que vocês juntem-se ao ACLLA nessa luta por uma mudança! O convite está feito, mas não ficará apenas nas palavras! O álbum será feito em material 100% reciclável, pois a lei que governa nossas atitudes é a lei na MENOR INTERFERÊNCIA no meio ambiente! Isso estará em tudo que se relacionar ao nome ACLLA!

O convite está feito…. e você? Está pronto para a Revolução?

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